terça-feira, 1 de julho de 2008

O aniversário do Teatro José Maria Santos.

A abertura de uma exposição retrospectiva da história do espaço e da carreira do ator José Maria Santos e a inauguração de um telecentro, fruto de parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos, nesta segunda-feira, 27 de junho, o Centro Cultural Teatro Guaíra comemorou os dez anos de reinauguração e programação ininterrupta do auditório Teatro José Maria Santos.

Com a presença de muitos integrantes da classe teatral, a Secretária da Cultura Vera Mussi, a Presidente do Teatro Guaíra, Marisa Vilella e a Sra. Ruth Santos, viúva do ator José Maria, descerraram uma placa em homenagem ao ator e também articulador das ações que levaram à inauguração do espaço original (Teatro da Classe).

O Centro Cultural Teatro Guaíra inaugurou na ocasião um telecentro que servirá ao público para pesquisas sobre as atividades do espaço, do Centro Cultural Teatro Guaíra e da área da cultura de um modo geral. Será possível também aos usuários e pesquisadores incluírem conteúdos relevantes relativos à área, com o objetivo de enriquecer as informações sobre o assunto e disponibilizar a maior quantidade possível de material que facilite as ações de todos aqueles ligados ao meio.

Ao mesmo tempo foi aberta uma exposição sobre a história do Teatro José Maria Santos e a carreira do ator que dá nome ao espaço. São fotografias de várias épocas e troféus ganhos pelo ator ao longo de sua carreira. Dentre esses troféus será possível ao público ver o principal prêmio do cinema brasileiro, o “Quiquito”, vencido por José Maria Santos como melhor ator coadjuvante com o filme “Aleluia Gretchen”, em 1977. Após a inauguração do telecentro e a abertura da exposição foi apresentada a peça “Lá”, de Sérgio Jockymann, com o ator Marco Zeni, direção de Mauricio Vogue. Este monólogo foi representado pelo ator José Maria Santos por mais de 1800 vezes, constituindo-se no grande marco de sua carreira.

Atualmente, como parte do complexo de auditórios do Centro Cultural Teatro Guaíra, o Teatro José Maria Santos apresenta uma programação centrada principalmente em espetáculos paranaenses, além de servir à classe teatral abrigando as provas públicas para habilitação de atores e atrizes, realizadas pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões no Estado do Paraná (SATED) e dos cursos de Interpretação e Direção da Faculdade de Artes do Paraná.

O auditório, que tem capacidade para abrigar 177 espectadores e um palco de 85 metros quadrados, nos últimos dez anos apresentou 2.125 espetáculos, para um público estimado em cento e quarenta mil pessoas.

O prédio construído entre 1885 e 1890, foi um dos marcos no processo de industrialização do Paraná. No final do século XIX serviu à fábrica de malhas e confecções da família Hoffman, que funcionou até 1956. Em 1970 passou a ser a sede das instalações ampliadas da Malharia Curitibana, que ali permaneceu até o final dos anos 70.

Parcialmente destruído por um incêndio em 1980, o prédio passou por uma série de reformas para sediar a Fábrica do Samba, com a finalidade de apresentar shows musicais, encontros debates e ensaios e serviu ao comando do carnaval curitibano em 1981 e 1982.

Num esforço de dezenas de profissionais da classe artística, liderados por José Maria Santos, em 1982 o espaço passou a ser o Teatro da Classe, inaugurado no mesmo ano com o espetáculo “A Reputação dos Quatro Bicos”, de Luiz Groff, produzido e protagonizado pelo próprio José Maria. Como Teatro da Classe, funcionou até 1986, quando então foi arrendado por um grupo de artistas e técnicos que ali criou o Teatro Treze de Maio. No ano seguinte, o prédio quase foi destruído, por determinação de seus proprietários, que foram impedidos a tempo.

Um ano depois a Secretaria de Estado da Cultura tombou o imóvel, tornando-o Patrimônio Histórico do Estado.

Em 11 de setembro de 1991 a Assembléia Legislativa do Estado denominou o espaço cultural como Teatro José Maria Santos, numa justa homenagem ao grande ator e produtor paranaense.

Sete anos se passaram entre o projeto de reforma e a conclusão das obras, até que em 27 de junho de 1998 o espaço era reinaugurado com a peça “SEROC – Um Mundo de Cara Nova”, da Cia. Arco de Pipa.
Bia Lanza - Editora do Blog

Fonte: Site Teatro Guaíra