quinta-feira, 12 de junho de 2008

José Maria Santos: Um teatro e muitas histórias

Lá volta em cena no aniversário do Teatro José Maria Santos
O espetáculo Lá é uma divertida comédia sobre um advogado que fica preso durante um final de semana, no banheiro da empresa, onde trabalha. Escrita há 31 anos, a comédia foi apresentada inúmeras vezes pelo ator José Maria Santos, que em sua luta e resistência conseguiu realizar o seu ideal, a criação de um espaço que atendesse a classe teatral paranaense.
O Teatro José Maria Santos é sinônimo de muitas lutas e transformações que tiveram início no final do século XIX, quando o prédio construído na “Rua dos Alemães”, atual Treze de Maio, pertencente a família Hoffmann abrigava uma Malharia.
Antes de ser batizado com o nome do seu maior idealizador, José Maria Santos, o Teatro passou por processos difíceis. Mas, mesmo que a sua história do passado tenha sido triste, hoje são inúmeras as alegrias e sorrisos que arranca do público nas diversas encenações que ali são realizadas. São 10 anos de ininterruptos em que abriu suas cortinas para 2.125 apresentações, alcançando um público estimado em mais de 140 mil espectadores.

As apresentações serão dias 27 e 28 às 21h e 29 às 19h. Os ingressos custarão R$ 10,00.

O espetáculo Lá é uma divertida comédia sobre um advogado que fica preso durante um final de semana, no banheiro da empresa, onde trabalha. Escrita há 31 anos, a comédia foi apresentada 1800 vezes pelo ator José Maria Santos, que em sua luta e resistência conseguiu realizar o seu ideal, a criação de um espaço que atendesse a classe teatral paranaense.

O Teatro José Maria Santos é sinônimo de muitas lutas e transformações que tiveram início no final do século XIX, quando o prédio construído na “Rua dos Alemães”, atual Treze de Maio, pertencente a família Hoffmann abrigava uma Malharia.

Antes de ser batizado com o nome do seu maior idealizador, José Maria Santos, o Teatro passou por processos difíceis. Mas, mesmo que a sua história do passado tenha sido triste, hoje são inúmeras as alegrias e sorrisos que arranca do público nas diversas encenações que ali são realizadas. São 10 anos de ininterruptos em que abriu suas cortinas para 2.125 apresentações, alcançando um público estimado em mais de 140 mil espectadores.

Entre as encenações, o Teatro José Maria Santos recebe todos os anos a prova pública (banca) de atores e atrizes coordenada pelo Sindicato dos Artistas (Sated), e a prova pública do 4° ano da Faculdade de Artes do Paraná, alunos estes de Interpretação e Direção.

O 1° espetáculo apresentado no palco do Teatro José Maria Santos, ainda com a casa em reforma, foi em 1998, na 9ª edição do Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, a peça, Auto da Criação do Mundo, da companhia Bonecos de Santo Aleixo, de Portugal, encenado com luzes de velas, originalmente do século XVII, sem o uso de luzes cênicas.

E a primeira encenação paranaense, que inaugurou oficialmente o espaço foi no dia 27 de junho de 1998, com a peça Seroc- Um Mundo de Cara Nova, produção e direção de Regina Vogue, escrito por Enéas Lour, ganhador de vários troféus Gralhas Azul, na categoria espetáculo Infantil.

Hoje o Teatro José Maria Santos é considerado o filho mais novo do Teatro Guaíra, o único dos auditórios que está fora do complexo localizado na praça Santos Andrade.

Além dos espetáculos que apresenta durante o ano, recebe os ganhadores do Troféu Gralha Azul de melhor espetáculo adulto e o infantil. No mês de maio os ganhadores, podem realizar suas temporadas sem custo algum.

Grandes produções movimentaram o palco do Teatro, com 177 lugares, destacando a Cia Sutil de Teatro com " A Vida é Cheia de som e Furia " de Felipe Hisch. " Quinhentas Vozes " dos Sátiros , escrita pelo jornalista José Correa Leite, apresentações da peça "O Vampiro e a Polaquinha " de Dalton Trevisan, " Lá " de Sergio Jockman, sucesso de José Maria Santos ( in memorian) com Marco Zeni, e tanto outros.

Nada mais justo comemorar o aniversário do Teatro com o espetáculo Lá, tantas vezes encenado pelo próprio ator José Maria Santos.

Marco Zenni, que veste o personagem da peça, é ator e humorista. Atuou e dirigiu várias comédias de sucesso em Curitiba, entre as quais, o Cabaret do Diogo Portugal. É integrante e fundador do Show Humorístico Astrocômicos e produtor do show Rodízio de Humor.

“E um grande prazer fazer parte desta comemoração, pois o “Zé Maria” foi um grande ator e este espetáculo marcou a sua carreira assim como a minha.” Diz Marco Zenni, que durante o festival de teatro de Curitiba de 2000 realizou 25 apresentações em 25 horas do espetáculo Lá.

O espetáculo Lá é uma divertida comédia do autor Sergio Jockymann, que através do humor aborda questões sérias sobre o homem e a sua fragilidade diante da vida.

Tudo começa quando o advogado Raul fica preso no banheiro da sua empresa, no final do expediente.

Entre as mais variadas e desesperadas tentativas de sair do local, como tentar chamar a equipe de limpeza do prédio, mandar sinais para os habitantes do edifício vizinho ao lado, e entrar em contato com a esposa através de um telefone celular, que acaba destruído, o rapaz passa a questionar tudo.

Todas as tentativas de sair dali são frustrantes e ele acaba usando o tempo para colocar em ordem idéias sobre a vida política brasileira e o tipo de comportamento que a população do país apresenta em seu dia-a-dia.

O texto foi escrito na década de 70 e agora foi adaptado, pois na época não existia celular. O advogado tem um celular, só que para variar o aparelho o deixa na mão na hora que ele mais precisa.

Um teatro e muita história para contar
O processo de criação do Teatro José Maria Santos foi longo e penoso. E teve início ainda no final do século XIX, entre 1885 e 1890, quando o prédio foi construído para abrigar a malharia e confecção da família Hoffmann, que fechou em 1956.

Mais tarde, em 1970 foi alugada para a Malharia Curitibana, por vários anos, até que em 1980 um incêndio destruiu parcialmente as instalações. Foi reformado e passou a sediar a Fábrica do Samba, coordenados pela Fundação Cultural de Curitiba, era o início da vida cultural naquele espaço. Entre os anos 1981 e 1982, foram realizados no local o comando de carnaval.

A partir de 1980, o ator, diretor e produtor José Maria Santos planejava a criação de um Teatro voltado para produções paranaenses, a exemplo do Teatro de Bolso, que funcionou, entre os anos 50 e 60, na Praça Rui Barbosa, dirigida por Ary Fontoura.

Depois de reformado o prédio passa a abrigar o Teatro da Classe, a inauguração aconteceu no dia 30 de abril de 1982, com a comédia, A Reputação do Quatro Bicos, de Luis Groff, produzida pelo próprio José Maria Santos e dirigida por Oraci Gemba.

A proposta de José Maria era de dar preferência às produções de grupos paranaenses. Para tanto em 1986, o espaço foi arrendado para as companhias: Tamanduá Produções Artísticas, de Beto Bruel e Regina Bastos, M&S, de Mário Schoemberger, NBP Produções, de Nautílio Portela e Claudete Pereira Jorge e Divinos Comediantes de Teatro, de Francisco Moura, que o reinauguraram com o nome de Treze de Maio, o auditório passou a chamar-se Antonio Carlos kraide e uma sala como Odelair Rodrigues.

Meses depois, outra polêmica, os proprietários do imóvel, que não conseguiram construir um estacionamento ali, resolveram vendê-lo e os compradores pretendiam derrubar o prédio. Mas a demolição estava proibida pela legislação vigente, apenas as paredes internas poderiam ser modificadas.

Nesse período funcionava no local, o Bar Ponto de Encontro e o Studio D de Dora de Paula Soares, que logo receberam a ordem de despejo. Mas a APETEP, Associação dos artistas não aceitou e iniciou uma campanha para evitar a demolição do prédio. No entanto, algumas paredes começaram a ser derrubas enquanto os artistas estavam em atividades fora da cidade. A ação da Secretaria de Segurança Pública impediu que as obras continuassem. E em 16 de dezembro de 1987, o imóvel foi tombado pelo Conselho Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico e em 1988, com decreto nº 2863 o Estado passa a tomar conta do imóvel, através da Secretaria da Cultura e o Teatro Guaíra passa a administrar o espaço.

Um novo projeto transformou a parte interna, incluindo duas salas de espetáculos, um palco italiano, que hoje tem capacidade para 177 pessoas.

Após a morte do ator José Maria Santos, no início do ano de 1990, artistas paranaenses iniciaram uma campanha para que o Teatro ganhasse o nome do seu maior defensor. A inauguração com o novo nome aconteceu no dia 27 de junho de 1998. Hoje, já consolidado o Teatro José Maria Santos é um símbolo de persistência para todos os artistas paranaense que se dedicam na arte de representar, o teatro.

O ator
José Maria Ferreira Maciel dos Santos, ou Zé Maria, como era carinhosamente chamado por todos, viveu na Lapa até os 12 anos. Veio com a família para Curitiba, onde toda a sua história com o teatro teve início. Seus primeiros estudos sobre o teatro começaram na Escola Dramática do Sesi e daí não parou mais. Em 1971 criou um grupo de teatro com alunos da Escola Técnica Federal do Paraná e permaneceu na instituição até a sua morte.

Ele foi o primeiro e único ator paranaense a receber uma premiação do cinema nacional sem jamais ter abandonado o Paraná. Foi "Kikito de Ouro" de melhor ator coadjuvante, no Festival de Cinema de Gramado por sua atuação como Dr. Aurélio, no filme "Aleluia Gretchen" de Silvio Back. Recebeu inúmeros outros prêmios em festivais pelo Brasil inteiro.

Mas destacou-se com o personagem, Dr. Raul da peça "Lá", a qual encenou mais de 1800 vezes durante quase 20 anos de temporadas.

Fonte: Site Teatro Guaíra

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