quinta-feira, 12 de junho de 2008

Teatro José Maria Santos completa dez anos de existência e recebe a peça “Lá”

O Teatro José Maria Santos comemora seus dez anos com o espetáculo “Lá”, de Sergio Jockymann. O espetáculo é uma divertida comédia sobre um advogado que fica preso durante um final de semana no banheiro da empresa em que trabalha. Escrita há 31 anos, a comédia foi apresentada 1.800 vezes pelo ator José Maria Santos. As apresentações serão nos dias 27 e 28 de junho, às 21h, e no dia 29, às 19h, com o ator Marco Zenni e direção de Maurício Vogue. Os ingressos custam R$ 10.


Em dez anos, o Teatro José Maria Santos teve 2.125 apresentações, alcançando um público estimado em mais de 140 mil espectadores. O primeiro espetáculo apresentado, ainda com a casa em reforma, foi em 1998, na 9ª edição do Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, com a peça “Auto da Criação do Mundo”, da companhia Bonecos de Santo Aleixo, de Portugal.

A primeira encenação paranaense, que inaugurou oficialmente o espaço foi no dia 27 de junho de 1998, com a peça “Seroc - Um Mundo de Cara Nova”, produção e direção de Regina Vogue, escrita por Enéas Lour, ganhadora de vários troféus Gralhas Azul, na categoria espetáculo Infantil. Hoje o Teatro José Maria Santos integra o Centro Cultural Teatro Guaíra.

Grandes produções movimentaram o palco do teatro, que tem 177 lugares, destacando-se a Cia Sutil de Teatro com “A Vida é Cheia de som e Fúria”, de Felipe Hisch; “Quinhentas Vozes”, dos Sátiros, escrita pelo jornalista José Correa Leite; e “O Vampiro e a Polaquinha”, de Dalton Trevisan.

“LÁ” - Marco Zenni é ator e humorista. Atuou e dirigiu comédias de sucesso em Curitiba, como o Cabaret do Diogo Portugal. É integrante e fundador do Show Humorístico Astrocômicos e produtor do show Rodízio de Humor. “É um grande prazer fazer parte desta comemoração, pois o Zé Maria foi um grande ator e este espetáculo marcou a sua carreira, assim como a minha”, diz Marco Zenni, que durante o Festival de Teatro de Curitiba de 2000 realizou 25 apresentações em 25 horas do espetáculo “Lá”.

O espetáculo “Lá” é uma comédia que aborda questões sérias sobre o homem e sua fragilidade. Tudo começa quando o advogado Raul fica preso no banheiro da empresa, no final do expediente. Entre as mais variadas e desesperadas tentativas de sair do local, como tentar chamar a equipe de limpeza do prédio, mandar sinais para os moradores do edifício vizinho e entrar em contato com a esposa através de um telefone celular, que acaba destruído, o rapaz passa a questionar tudo. Todas as tentativas de sair dali são frustrantes e ele acaba usando o tempo para colocar em ordem idéias sobre a vida política brasileira e o comportamento das pessoas. O texto foi escrito na década de 70 e agora foi adaptado.

O TEATRO - O Teatro José Maria Santos fica num prédio construído entre 1885 e 1890 para abrigar a malharia da família Hoffmann, que fechou em 1956. Em 1970 a construção foi alugada para a Malharia Curitibana, até que em 1980 um incêndio destruiu parcialmente as instalações. O prédio foi reformado e passou a sediar a Fábrica do Samba, coordenada pela Fundação Cultural de Curitiba. A partir de 1980, o ator, diretor e produtor José Maria Santos planejava a criação de um teatro para encenar produções paranaenses, a exemplo do Teatro de Bolso, que funcionou entre nos anos 1950 e 60 na Praça Rui Barbosa, dirigida por Ary Fontoura.

Depois de reformado o prédio passa a abrigar o Teatro da Classe, a inauguração aconteceu no dia 30 de abril de 1982, com a comédia, “A Reputação do Quatro Bicos”, de Luis Groff, produzida por José Maria Santos e dirigida por Oraci Gemba. A proposta de José Maria era dar preferência às produções de grupos paranaenses. Em 1986 o espaço foi arrendado para as companhias Tamanduá Produções Artísticas, de Beto Bruel e Regina Bastos; M&S, de Mário Schoemberger; NBP Produções, de Nautílio Portela e Claudete Pereira Jorge; e Divinos Comediantes de Teatro, de Francisco Moura, que o reinauguraram com o nome Treze de Maio. O auditório passou a se chamar Antonio Carlos kraide e uma sala, Odelair Rodrigues.

Os proprietários do imóvel, que não conseguiram construir um estacionamento ali, resolveram vendê-lo e os compradores pretendiam derrubar o prédio. Mas a demolição estava proibida pela legislação vigente. Nesse período funcionava no local o Bar Ponto de Encontro e o Studio D, de Dora de Paula Soares, que logo receberam a ordem de despejo. Mas a Associação dos Artistas não aceitou e iniciou uma campanha para evitar a demolição do prédio.

Algumas paredes começaram a ser derrubas enquanto os artistas estavam em atividades fora da cidade. A Secretaria de Segurança Pública impediu que as obras continuassem. Em 16 de dezembro de 1987, o imóvel foi tombado pelo Conselho Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico. Em 1988, com o Decreto 2.863, o Estado passa a tomar conta do imóvel, através da Secretaria da Cultura, e o Teatro Guaíra passa a administrar o espaço. Após a morte do ator José Maria Santos, no início de 1990, artistas paranaenses iniciaram uma campanha para que o teatro ganhasse o nome do seu maior defensor. A inauguração com o novo nome aconteceu no dia 27 de junho de 1998.

José Maria Ferreira Maciel dos Santos, ou Zé Maria, como era carinhosamente chamado por todos, viveu na Lapa até os 12 anos. Veio com a família para Curitiba. Seus estudos sobre teatro começaram na Escola Dramática do Sesi. Em 1971 criou um grupo de teatro com alunos da Escola Técnica Federal do Paraná e permaneceu na instituição até a sua morte. Ele foi o primeiro e único ator paranaense a receber uma premiação do cinema nacional sem jamais ter abandonado o Paraná. Recebeu o Kikito de Ouro de melhor ator coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado, por sua atuação como Doutor Aurélio no filme “Aleluia Gretchen”, de Silvio Back.

Fonte: AEN,- 23/06/2008

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